Política

Saiba quem são os alvos da nova fase da Operação Compliance Zero no Caso Master

A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (07/05), teve como alvo integrantes do núcleo político, financeiro e empresarial investigado no Caso Master.

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou medidas como mandados de busca e apreensão, prisão temporária, bloqueio de bens e restrições patrimoniais.

As investigações apuram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Ciro Nogueira

De acordo com a decisão do STF, o senador aparece nas investigações por supostos vínculos com pagamentos periódicos relacionados à chamada “parceria BRGD/CNLF”, estrutura empresarial analisada pela Polícia Federal.

Mensagens interceptadas citam repasses mensais de R$ 300 mil, posteriormente elevados para R$ 500 mil. Em um dos diálogos reproduzidos na decisão, o banqueiro Daniel Vorcaro reclama do atraso nos pagamentos supostamente destinados ao parlamentar: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses Ciro?”

Contra Ciro Nogueira, o STF autorizou mandados de busca e apreensão e bloqueio patrimonial proporcional aos valores investigados.

A PF também relaciona o senador à apresentação de proposta legislativa considerada favorável ao Banco Master. Entre os elementos citados estão mensagens em que Daniel Vorcaro afirma que determinada emenda “saiu exatamente como mandei”.

Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro aparece no inquérito em mensagens, operações societárias e movimentações financeiras analisadas pela PF.

Segundo os investigadores, ele teria coordenado pagamentos periódicos, reorganizações empresariais e operações patrimoniais investigadas no esquema. Também é citado em diálogos sobre envio de minutas legislativas e manutenção de pagamentos considerados “muito importantes”.

Como Vorcaro já estava submetido a medidas cautelares determinadas em fases anteriores da Operação Compliance Zero, a nova etapa concentrou diligências sobre operadores e estruturas ligadas ao banqueiro.

Felipe Cançado Vorcaro

Primo de Daniel Vorcaro, Felipe é apontado pela PF como integrante do “núcleo financeiro-operacional” da organização investigada.

Segundo a investigação, ele seria responsável por operacionalizar movimentações financeiras, pagamentos periódicos e operações societárias relacionadas às empresas analisadas pela PF.

Foi contra Felipe que o STF autorizou a principal medida restritiva desta fase da operação: prisão temporária pelo prazo de cinco dias.

A decisão menciona ainda uma suposta tentativa de evasão durante a segunda fase da operação, em janeiro deste ano. Segundo os autos, Felipe teria deixado uma residência em Trancoso, na Bahia, minutos antes da chegada da Polícia Federal. Imagens de circuito interno mostrariam o investigado saindo do imóvel em um carrinho de golfe.

Para o STF, a prisão temporária seria necessária para evitar ocultação de provas e permitir a recuperação de dispositivos eletrônicos ainda não apreendidos.

Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima

Irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Neto aparece na investigação como administrador formal da CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda.

Segundo a PF, a empresa participou da aquisição de participação societária na Green Investimentos S.A. por cerca de R$ 13 milhões, em operação considerada abaixo do valor de mercado pelos investigadores.

Contra ele, foram autorizadas buscas e medidas patrimoniais ligadas às empresas investigadas.

Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho

A investigação também aponta Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho como operador financeiro responsável pela inserção de dinheiro em espécie no sistema financeiro formal.

De acordo com a PF, ele realizava depósitos fracionados e movimentações pulverizadas para dificultar rastreamento bancário e evitar alertas automáticos dos órgãos de controle.

O STF autorizou medidas de busca e bloqueio patrimonial relacionadas às movimentações atribuídas ao investigado.

Ao todo, a quinta fase da Operação Compliance Zero cumpre mandados no Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Piauí. A Justiça também autorizou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores ligados aos investigados.

As investigações seguem sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

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