Política

O preço do luxo em Manhattan: diárias de R$ 11,5 mil eram pagas a Ciro Nogueira, aponta PF

Enquanto a “Operação Compliance Zero” avança, os detalhes sobre o estilo de vida nababesco do Senador Ciro Nogueira em viagens internacionais revelam cifras que chocam pela disparidade com a realidade piauisense.

De acordo com a decisão do Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o parlamentar desfrutou de hospedagens de altíssimo custo no coração de Nova York, todas financiadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Diária de R$ 11.500 por uma noite: O padrão Park Hyatt

Embora a decisão judicial caracterize as estadias como de “elevado custo” sem fixar um recibo único, consultas a sites de reserva para maio de 2026, período da deflagração das medidas, revelam o tamanho da fatura.

O Valor: Uma diária média para noites de semana no Park Hyatt New York pode atingir US$ 2.307, o equivalente a cerca de R$ 11.500

Esse valor refere-se a acomodações padrão; suítes mais luxuosas no mesmo estabelecimento podem elevar a conta a níveis ainda mais astronômicos.

O senador e sua acompanhante eram os destinatários dessas “cortesias”.

“Os meninos continuam pagando?”: As Provas do STF

A investigação não se baseia apenas em presunções. A Polícia Federal interceptou diálogos que provam a logística do pagamento.

Em uma das mensagens, o intermediário Léo Serrano pergunta diretamente a Vorcaro:

> “Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até Sábado?”.

A resposta de Daniel Vorcaro foi curta e definitiva: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”. A frase revela não apenas o custeio de hotéis, mas a disponibilização de um cartão de crédito pessoal do banqueiro para despesas do senador no exterior.

Para os investigadores, essas diárias de R$ 11.500 não eram gestos de amizade, mas parte de um “arranjo funcional”. Em troca de jantares refinados e lençóis de fios egípcios em Manhattan, Ciro Nogueira teria atuado em benefício dos interesses de Vorcaro no Senado, como no caso da Emenda nº 11 à PEC 65/2023, que teria sido redigida pela assessoria do Banco Master e apenas assinada pelo parlamentar.

A promessa de renúncia feita pelo senador em março agora paira sobre essas faturas: se o critério de “prova” for o registro de um banqueiro pagando diárias que custam quase dez vezes um salário mínimo por noite, o cardápio político de Ciro Nogueira acaba de ficar muito mais indigesto.

 

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