“Causamos muito incômodo”: delegado Ayslan Magalhães fala sobre ameaças e plano de execução
Segundo ele, as ameaças estariam relacionadas ao trabalho desenvolvido no combate às organizações criminosas e aos prejuízos provocados pelas ações policiais.
O delegado Aysllan Magalhães afirmou que já havia recebido ameaças antes mesmo do plano de execução descoberto pela Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI).

Segundo ele, as ameaças estariam relacionadas ao trabalho desenvolvido no combate às organizações criminosas e aos prejuízos provocados pelas ações policiais contra o tráfico de drogas.
A declaração foi dada para o repórter Carlos Mesquita, da TV Meio Norte, após a operação deflagrada nesta segunda-feira (28), que identificou uma estrutura criminosa suspeita de planejar a execução dos delegados Aysllan Magalhães e Charles Pessoa.

“É com certo desconforto que a gente recebe essa notícia, mas as ameaças já eram esperadas, não é a primeira vez”, afirmou o delegado.
Aysllan contou que começou a atuar na segurança pública em Esperantina, em 2021, onde participou de ações que resultaram na desarticulação de células criminosas. Segundo ele, foi naquele período que recebeu as primeiras ameaças.
“Desenvolvi esse trabalho na segurança pública desde 2021 em Esperantina, onde a gente conseguiu também desarticular várias células criminosas. Já tinha recebido ameaça em Esperantina”, relatou.
Em 2023, após passar a atuar em Parnaíba, o delegado afirma que voltou a ser ameaçado. Para ele, a intensificação das ações contra organizações criminosas aumentou o descontentamento dos grupos atingidos.
“Quando vim para Parnaíba em 2023 também já tinha recebido. A gente causou muito incômodo, um grande prejuízo para o tráfico de drogas nos últimos meses”, declarou.
PREJUÍZO DE R$ 60 MILHÕES
Entre as ações citadas pelo delegado está a apreensão de aproximadamente uma tonelada de drogas em uma propriedade rural de Bom Princípio do Piauí. Segundo Aysllan, a ação teria causado um prejuízo estimado em R$ 60 milhões ao Comando Vermelho no litoral.
“Principalmente em decorrência daquele depósito de drogas que a gente encontrou lá em Bom Princípio do Piauí, R$ 60 milhões de prejuízo para o Comando Vermelho aqui no litoral”, afirmou.
Segundo as investigações da SSP-PI, ações como essa teriam contribuído para que integrantes da organização criminosa passassem a articular ataques contra os delegados.
R$ 1 MILHÃO PARA COLOCAR PLANO EM PRÁTICA
Aysllan também revelou que, segundo as investigações, cerca de R$ 1 milhão teria sido disponibilizado para viabilizar a execução do plano. O dinheiro seria destinado à logística da ação, incluindo a contratação de criminosos do Ceará para realizar o atentado.
“Foi disponibilizado R$ 1 milhão para a facção realizar toda essa logística, contratar pessoas do Ceará para vir aqui executar o serviço”, disse o delegado.
A investigação apontou que o grupo teria dividido funções entre diferentes integrantes, incluindo responsáveis pela liderança, coordenação, monitoramento, logística e escolha dos possíveis executores.
Apesar da estrutura montada pelos criminosos, Aysllan afirmou que o trabalho de inteligência conseguiu identificar os envolvidos antes que o plano fosse concretizado.
“Mas a gente conseguiu se antecipar e prender os criminosos envolvidos nesse esquema”, destacou.
Segundo a investigação, criminosos monitoravam a rotina do delegado Charles Pessoa e chegaram a acompanhar seus deslocamentos e compromissos públicos. O grupo teria planejado um ataque durante um ato político realizado na quinta-feira (24), no bairro Mocambinho, na zona Norte de Teresina.
A operação deflagrada nesta segunda-feira teve dez investigados como alvos. As diligências também buscam identificar outros possíveis integrantes e conexões da organização criminosa.
Para Aysllan, as ameaças são consequência do trabalho realizado por ele e pelo delegado Charles Pessoa ao longo dos últimos anos.
“Isso com certeza causou muito desconforto e descontentamento por parte das facções. Então, possivelmente, por conta desse trabalho desenvolvido por mim e pelo delegado Charles ao longo dos anos surgiram essas ameaças”, concluiu.

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