Vereadora Tatiana Medeiros é presa pela PF em operação que investiga crimes eleitorais e ligação com facção
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa em sua residência no bairro Jóquei, na zona Leste de Teresina, durante uma operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (3).
A parlamentar deixou sua casa por volta das 7h50 em uma viatura, seguindo para a sede da PF. Ela estava acompanhada de outra mulher, além de seu advogado e tio.
A reportagem apurou que a ação investiga crimes eleitorais, possível envolvimento com facção criminosa e compra de votos com dinheiro proveniente dessa organização.
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que a campanha eleitoral de Tatiana Medeiros tenha sido financiada de forma ilícita e que sua eleição tenha ocorrido com o apoio de uma facção criminosa. Além disso, a investigação aponta possíveis desvios de recursos públicos de uma instituição não governamental. Ela foi eleita pela primeira vez nas eleições de 2024 com 2.925 votos.
O namorado da vereadora, Alandilson Cardoso Passos, foi preso em Minas Gerais sob suspeita de integrar uma facção criminosa. Ele permanece detido. No momento da prisão, Alandilson estava acompanhado da vereadora e já tinha uma passagem comprada para viajar a São Paulo.
O presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB-PI, Leonardo Queiroz, informou que a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Piauí, não foi comunicada previamente sobre a operação da Polícia Federal, mas já está acompanhando o caso. Ele também reforçou que a instituição tomará medidas legais para contestar a ação.
“Nós, da OAB Piauí, não fomos comunicados sobre essa operação. Estamos tomando conhecimento apenas através da mídia e iremos prestar todo o suporte institucional, uma vez que ela é advogada. A Comissão de Defesa das Prerrogativas da OAB Piauí já está acompanhando o caso de perto. Inclusive, a OAB Piauí vai se habilitar no processo e pedir a nulidade deste ato que não observou a lei que diz que a OAB tem que ser comunicada previamente para acompanhar”, afirmou o advogado.
O PSB esclareceu que ainda não tomou uma decisão definitiva sobre a situação da vereadora Tatiana Medeiros.
“Sobre a situação da vereadora, o partido ficou sabendo junto com a imprensa e precisa ter acesso ao inquérito para estabelecer os devidos processos legais, como já foi feito anteriormente”, disse a sigla em nota.
Afastamento de funções públicas
Segundo nota da PF, esta é a segunda fase da Operação Escudo Eleitoral e cumpriu oito mandados, sendo dois de prisão preventiva, três de busca e apreensão e três de afastamento de função pública como vereadora e de cargos em comissão ocupados por investigados da Câmara Municipal de Teresina, da Assembleia Legislativa e da Secretaria de Estado de Saúde do Piauí.
“Além das medidas judiciais citadas, o Juízo Eleitoral determinou a suspensão das atividades da ONG, com o consequente impedimento de receber qualquer novo aporte de recursos, e a proibição dos suspeitos afastados de suas funções de frequentarem os locais que trabalhavam e de manter contato com outros servidores”, destaca a nota.
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Confira nota na íntegra:
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (3), a segunda fase da Operação Escudo Eleitoral, com o objetivo de combater a atuação de facções criminosas no processo eleitoral das Eleições municipais de 2024.
Policiais Federais cumprem oito mandados judiciais, sendo dois mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão e três de afastamento de função pública como vereadora e de cargos em comissão ocupados por investigados da Câmara Municipal de Teresina, da Assembleia Legislativa e da Secretaria de Estado de Saúde do Piauí. As ordens judiciais, cumpridas na capital piauiense e na cidade de Timon/MA, foram expedidas pelo 1º Juízo de Garantias da Justiça Eleitoral no Piauí.
A investigação, iniciada após a divulgação dos resultados das Eleições 2024, identificou elementos que apontaram vínculo entre candidata eleita ao cargo de vereadora na capital piauiense e expoente de facção criminosa violenta com grande atuação no estado.
Há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos de uma instituição não governamental.
Além das medidas judiciais citadas, o Juízo Eleitoral determinou a suspensão das atividades da ONG, com o consequente impedimento de receber qualquer novo aporte de recursos, e a proibição dos suspeitos afastados de suas funções de frequentarem os locais que trabalhavam e de manter contato com outros servidores.
Durante a deflagração, foi realizada ainda a prisão de uma pessoa que se encontrava com mandado de prisão preventiva em aberto.
Parlamentar alvo da 1ª fase da operação
Tatiana Medeiros é fundadora do Instituto Vamos Juntos, localizado na Avenida Boa Esperança, na zona Norte de Teresina. O local já foi alvo de buscas da Polícia Federal durante a primeira fase da Operação Escudo Eleitoral.
Durante a ação, foi cumprido um mandado de busca e apreensão, resultando na apreensão de R$ 100 mil em espécie no instituto.
Além disso, a parlamentar é namorada de Alandilson Cardoso Passos, um dos alvos da Operação Denarc 64. Segundo o delegado Samuel Silveira, Alandilson responde por crimes de tráfico de drogas, roubo qualificado, posse irregular de arma de fogo e seria ligado a uma facção criminosa que atua na capital.
No último final de semana, o PSB anunciou o afastamento de Tatiana Medeiros do cargo de secretária-geral do partido em Teresina. A sigla ressaltou ainda que abrirá um processo na comissão de ética devido às investigações policiais que envolvem a conduta da parlamentar na campanha eleitoral de 2024.
Em entrevista ao Jornal do Piauí nesta terça-feira (1°), a vereadora Tatiana Medeiros assegurou que não responde a nenhum tipo de processo criminal, cível ou eleitoral e considera as sanções partidárias parte de uma “perseguição” da qual é vítima.
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