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Justiça manda soltar engenheiro acusado de matar motociclista na Avenida Frei Serafim em Teresina

O julgamento ocorreu no Plenário Virtual entre os dias 4 e 14 de setembro.

A 1ª Câmara Especializada Criminal do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) concedeu, por unanimidade, liberdade ao engenheiro civil Carlos Eduardo Marques Ângelo, principal acusado pelo atropelamento e morte do motociclista Edson Barbosa Dias, de 47 anos, ocorrido no cruzamento das avenidas Frei Serafim e Miguel Rosa, no coração de Teresina.

A decisão, proferida nessa terça-feira (15), revoga a prisão preventiva que mantinha o engenheiro atrás das grades desde o início do processo. O julgamento ocorreu no Plenário Virtual entre os dias 4 e 14 de setembro, sob a presidência do desembargador Pedro de Alcântara da Silva Macedo.

O acórdão seguiu o voto do relator, mas ignorou o parecer do Ministério Público Superior, que se manifestou contrariamente à soltura. Para o MP, a gravidade concreta do crime — em que o réu é acusado de avançar o sinal vermelho sob efeito de álcool e drogas — justificava a manutenção da segregação cautelar. Apesar da dissonância, os desembargadores entenderam que as medidas cautelares seriam suficientes para garantir a ordem pública e a instrução processual.

Embora tenha conquistado o direito de responder em liberdade, Carlos Eduardo não terá uma rotina comum. O Tribunal impôs um verdadeiro cerco de restrições: o réu será monitorado por tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 180 dias, está terminantemente proibido de frequentar bares, restaurantes e festas públicas ou particulares — uma vez que o crime foi precedido pela ingestão de álcool — e deverá cumprir recolhimento domiciliar das 19h às 6h, todos os dias, inclusive nos períodos de folga.

Além disso, o engenheiro teve a habilitação suspensa e está proibido de obter nova permissão para dirigir até o julgamento final do processo, não podendo ainda manter qualquer contato, por qualquer meio, com os familiares da vítima ou com as testemunhas, devendo respeitar uma distância mínima de 200 metros. O descumprimento de qualquer uma dessas medidas, advertiu o desembargador Pedro de Alcântara, resultará na imposição de outra em cumulação ou, em último caso, na decretação imediata de nova prisão pelo juízo de primeiro grau.

Edson Barbosa tinha 47 anos

O trágico acidente aconteceu em março de 2026. Segundo as investigações da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público do Piauí , o engenheiro conduzia seu veículo em alta velocidade quando colidiu com a motocicleta de Edson. O impacto foi tão violento que a vítima não resistiu aos ferimentos. Testemunhas e exames apontaram que o réu apresentava sinais claros de embriaguez e uso de substâncias entorpecentes no momento da colisão, o que levou o MP a pedir a prisão preventiva por homicídio qualificado.

O alvará de soltura já foi expedido, com o devido cadastro no Banco Nacional de Mandados de Prisão. Caberá ao juízo de primeira instância a fiscalização rigorosa das medidas impostas, bem como a avaliação de pedidos de revogação ou alteração, uma vez que a apreciação direta pelo Tribunal resultaria em supressão de instância.

Vale lembrar que a defesa do engenheiro, foi feita pelo  jovem Advogado esperantinense, Dr. Mateus Amorim de Carvalho, que na ocasião ingressou com um Habeas Corpus no Tribunal de Justiça do Piaui – TJPI, solicitando a soltura do seu cliente.

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