Política

Revista Piauí: banqueiro teria pago viagem de R$ 1,8 milhão para Ciro Nogueira nos Alpes franceses

Uma reportagem da revista Piauí, publicada nesta terça-feira (02/06), revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao caso Banco Master, teria custeado uma viagem de luxo avaliada em quase R$ 2 milhões para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e sua esposa, Flávia Rosalen, em Courchevel, uma das mais exclusivas estações de esqui dos Alpes franceses.

O episódio passou a integrar as investigações da Polícia Federal sobre a relação entre o parlamentar e o empresário.

Segundo a publicação, Ciro e Flávia permaneceram 13 dias em Courchevel, entre 12 e 25 de janeiro de 2025. A PF teria calculado que as despesas da viagem chegaram a R$ 1.849.201, valor que teria sido pago por Vorcaro. A revista relata que o banqueiro também esteve no local acompanhado de sua então noiva, Martha Graeff. Uma fotografia encontrada no celular de Vorcaro mostraria os dois juntos na estação de esqui.

A reportagem afirma que a viagem é um dos elementos analisados pelos investigadores para apurar se a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro extrapolou os limites de uma amizade pessoal. Conforme a revista, ao autorizar uma nova operação da PF relacionada ao caso Master, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou indícios de um “arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo”.

Além da viagem à França, a investigação também analisa supostos pagamentos, uso de imóveis, despesas pessoais, influência política e negócios envolvendo o senador e o banqueiro. A revista afirma ter tido acesso a mais de 60 páginas de relatórios da Polícia Federal contendo registros de mensagens, fotografias, movimentações financeiras e deslocamentos.

Entre os pontos citados está um relatório do Coaf que teria identificado depósitos da empresa BRGD, ligada à família Vorcaro, para a CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa associada à família de Ciro Nogueira. Os repasses teriam somado R$ 902 mil entre agosto de 2023 e agosto de 2024 e foram considerados atípicos pelo órgão de controle.

A publicação também destaca uma operação envolvendo a Green Investimentos. Segundo a reportagem, uma empresa ligada a Ciro teria adquirido 30% da Green por R$ 1 milhão, valor inferior ao estimado para a participação societária. O negócio teria chamado a atenção dos investigadores e passou a integrar a cronologia do caso.

Outro aspecto sob análise são mensagens que indicariam discussões sobre pagamentos mensais ao senador, inicialmente de R$ 300 mil e posteriormente de R$ 500 mil. A origem, a destinação e a forma de repasse desses recursos ainda são objeto de investigação.

A reportagem menciona ainda o uso de imóveis ligados a Vorcaro e despesas pessoais custeadas pelo banqueiro. Conversas obtidas pela PF indicariam, segundo a revista, que contas de restaurantes frequentados por Ciro e Flávia no exterior teriam sido pagas com recursos vinculados ao empresário.

No campo político, a investigação também alcança a chamada “Emenda Master”, proposta apresentada em agosto de 2024 que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para investidores em instituições financeiras. Segundo a revista, a medida beneficiaria diretamente o Banco Master e teria sido elaborada com participação de assessores da instituição financeira antes de ser encaminhada ao senador.

Ciro Nogueira já negou irregularidades e afirma que nunca atuou para beneficiar o Banco Master. Em declarações anteriores citadas pela revista, o senador disse esperar que a Polícia Federal e o Ministério Público esclareçam os fatos investigados.

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