Júri Popular

Justiça marca júri de ex-vereador e três réus por morte de empresário no Piauí

A Justiça do Piauí marcou para o dia 3 de junho de 2026 a sessão do Tribunal do Júri que irá julgar os acusados pela morte do empresário Benedito Cardoso de Sousa Neto, assassinado a tiros dentro da própria loja de ração no município de São João do Arraial, a cerca de 200 km de Teresina.

A data foi definida pela Vara Única da Comarca de Matias Olímpio durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (18), quando foram sorteados os 25 jurados que irão compor o Conselho de Sentença da segunda sessão ordinária anual do Tribunal Popular do Júri da comarca.

Segundo a ata judicial, o julgamento está marcado para iniciar às 8h, no Fórum de Matias Olímpio.

Respondem ao processo o ex-vereador de Matias Olímpio, Marco Antônio Borges Resende, apontado pela investigação como mandante do crime; Francisco Douglas Oliveira da Silva, conhecido como “Caminhoneiro”, identificado como intermediário; além de Jonathas José de Deus Sousa, o “Muniz”, e Rafael da Costa Barroso, apontados como executores do homicídio. Três dos acusados estão presos atualmente em unidades prisionais de Esperantina e Altos.

Ex-vereador é apontado como mandante do crime

 

organograma policia civil morte de Benedito Cardoso de Sousa Neto, assassinado a tiros dentro da própria loja de ração no município de São João do Arraial

De acordo com a investigação da Polícia Civil do Piauí, o ex-vereador de Matias Olímpio Marco Borges Resende é apontado como mandante do assassinato.

Segundo o delegado Saul Laurentino, o ex-parlamentar teria contratado um intermediário identificado pela alcunha “Caminhoneiro” para organizar o homicídio. Conforme o inquérito, o pagamento pelo crime seria de R$ 50 mil, além da oferta de um sítio localizado em Matias Olímpio.

“O nacional MARCO BORGES contratou o nacional CAMINHONEIRO para matar BENEDITO, inclusive ofereceu-lhe um sítio e mais 50 mil reais para fazer o serviço. MARCO BORGES, ex-vereador da cidade de Matias Olímpio, esteve em contato frequente com o nacional CAMINHONEIRO, inclusive chegou a presenteá-lo com um aparelho celular novo para dificultar uma possível investigação futura da polícia civil, após a morte de BENEDITO. Em sequência, o nacional CAMINHONEIRO contratou dois indivíduos para matar BENEDITO, os nacionais RAFAEL e MUNIZ, ambos naturais da cidade de Timon”, informou o delegado no relatório final da investigação.

Ainda conforme a Polícia Civil, o intermediário teria contratado Rafael Barroso e Jonathas Sousa, conhecido como “Muniz”, para executar o crime. A investigação apontou que os suspeitos possuem ligação com facção criminosa com atuação em Timon, no Maranhão.

Polícia aponta motivação passional

As investigações concluíram que a morte do empresário teria sido motivada por ciúmes.

Segundo o delegado Saul Laurentino, Benedito mantinha relacionamento com uma mulher que era ex-companheira de Marco Borges, e o ex-vereador via a vítima como um obstáculo para a retomada da relação.

A Polícia Civil informou ainda que o crime teria sido planejado durante cerca de três meses.

“Ele montou o plano de execução da vítima durante três meses. Não poderia levantar suspeita”, afirmou o delegado em entrevista anterior ao Cidadeverde.com.

Empresário foi morto dentro da própria loja

Benedito Cardoso de Sousa Neto tinha 24 anos e foi assassinado na manhã do dia 14 de janeiro de 2025, dentro da loja de ração da qual era proprietário, em São João do Arraial.

Segundo as investigações, dois homens chegaram em uma motocicleta ao estabelecimento e efetuaram disparos na cabeça da vítima, que morreu ainda no local.

Na época do crime, a Polícia Militar informou que os suspeitos fugiram em direção ao município de Matias Olímpio. Horas depois, um dos investigados foi preso na cidade de Porto enquanto tentava embarcar em um ônibus com destino a Teresina.

O segundo suspeito foi localizado posteriormente no município de Campo Largo do Piauí. Já Marco Borges foi preso em fevereiro de 2025 enquanto fazia caminhada na Avenida Raul Lopes, na zona Leste de Teresina. Na residência dele, a polícia apreendeu uma pistola.

 

 

A investigação também apontou que os executores chegaram a alegar, inicialmente, que o crime teria relação com desavenças envolvendo facções criminosas. A polícia, porém, descartou essa hipótese como motivação principal após aprofundar as investigações.

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